A Rumo apresentou desempenho operacional mais fraco em setembro de 2026, com queda nos volumes transportados, principalmente em razão da redução dos embarques de milho na Operação Norte. No mês, o volume consolidado recuou 10,3% em relação a setembro de 2025, para 7 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU), marcando a primeira retração na comparação anual em 2026.

Apesar do resultado negativo no mês, o desempenho acumulado do terceiro trimestre permaneceu positivo. No terceiro trimestre de 2026, os volumes transportados pela companhia cresceram 2% na comparação anual, totalizando 23,9 bilhões de TKU. O resultado indica que a desaceleração observada em setembro não foi suficiente para reverter o avanço registrado no trimestre.

O principal fator de pressão veio da Operação Norte, que concentra a maior parcela dos volumes da companhia. A unidade registrou queda de 10,1% na comparação anual, para 5,9 bilhões de TKU. O movimento foi impulsionado pela forte retração de 36,3% nos embarques de milho, que superou o crescimento de outras cargas relevantes para a operação.

Na contramão do milho, os volumes de soja avançaram 29,1% em setembro, enquanto os embarques de farelo de soja aumentaram 24,3%. O transporte de fertilizantes também apresentou crescimento, de 9,5%. Embora esses segmentos tenham contribuído para atenuar a queda, não foram suficientes para compensar o enfraquecimento do milho, cuja movimentação atingiu o menor nível para um mês de setembro desde 2021.

Entre os produtos industriais transportados na Operação Norte, houve recuo de 1,9% no volume anual. O aumento de 9,9% nos embarques de combustíveis foi mais do que compensado pela queda de 13,9% nas cargas de madeira, celulose e papel.

Operação Sul também registra retração

A Operação Sul apresentou desempenho igualmente negativo em setembro. Os volumes transportados caíram 11,3% em relação ao mesmo mês de 2025, para 1,1 bilhão de TKU.

A retração foi disseminada entre diferentes categorias de carga. Os embarques de açúcar recuaram 32,6%, enquanto os volumes de fertilizantes diminuíram 37,6%. Os produtos industriais também registraram queda, de 15,6%. O avanço de 16,4% no transporte de contêineres contribuiu para reduzir parcialmente o impacto negativo, mas não impediu a contração da operação.

A combinação de resultados mais fracos nas duas regiões evidencia que a pressão sobre os volumes em setembro não ficou restrita a uma única frente operacional. Ainda assim, a queda expressiva nos embarques de milho na Operação Norte foi o principal vetor negativo do mês, diante do peso dessa carga no desempenho da companhia.

Perspectivas e avaliação do mercado

O resultado de setembro é negativo para a avaliação operacional da Rumo, sobretudo por representar a primeira queda anual de volumes em 2026. A retração do milho chama atenção por interromper a trajetória positiva observada ao longo do ano e por atingir o menor volume para setembro desde 2021. Por outro lado, os recordes mensais de transporte de soja e farelo de soja ajudaram a amortecer parte do impacto.

A leitura dos números exige, contudo, distinguir o desempenho mensal do resultado trimestral. Enquanto setembro apresentou queda de 10,3% nos volumes consolidados, o terceiro trimestre ainda encerrou com crescimento anual de 2%. Essa diferença mostra que a fraqueza do último mês não elimina o avanço acumulado no período, embora aumente a atenção sobre a composição das cargas e a sustentabilidade do crescimento operacional.

Na avaliação de mercado apresentada no relatório, a recomendação para as ações da Rumo foi mantida em neutra. A companhia negocia com uma taxa interna de retorno real implícita de 8,3%, o que representa um prêmio de 1,6 ponto percentual, ou 160 pontos-base, em relação aos títulos públicos brasileiros indexados à inflação com vencimento em 2037 (NTN-Bs).

Esse prêmio indica uma remuneração real superior à oferecida pelo título público de referência, mas, na avaliação do relatório, não altera a recomendação de investimento. O desempenho operacional mais fraco em setembro reforça a necessidade de acompanhar a evolução dos embarques de milho e a capacidade de outras cargas, especialmente soja e farelo de soja, de sustentar os volumes nos próximos meses.

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