A Eztec fechou o terceiro trimestre de 2026 com números operacionais que o BTG Pactual classifica como “decentes”: uma empresa que continua expandindo sua atuação e, ao mesmo tempo, começa a desatar um dos nós que mais pesam sobre a geração de caixa das incorporadoras, o estoque de imóveis já concluídos.
Vendas estáveis, abaixo do esperado
As vendas brutas somaram R$ 573 milhões, estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior. Descontados R$ 50 milhões em distratos, as vendas líquidas chegaram a R$ 523 milhões, também sem variação anual e 7% abaixo da projeção do banco.
A composição do resultado ajuda a entender onde a companhia encontrou tração:
- R$ 300 milhões vieram de unidades lançadas no período;
- R$ 81 milhões de estoque em construção;
- R$ 142 milhões de estoque pronto.
Este último número foi o destaque do trimestre. As vendas de unidades concluídas cresceram 115% na comparação anual e 40% sobre o trimestre anterior. A velocidade de vendas sobre oferta, indicador que mede quanto do estoque disponível foi absorvido pelo mercado, ficou em 13%, patamar que o BTG considera adequado, com contribuição relevante justamente dos imóveis prontos.
Lançamentos aceleram
Do lado dos lançamentos, a Eztec colocou três empreendimentos no mercado, somando R$ 727 milhões, alta de 53% sobre o terceiro trimestre de 2025 e exatamente o que o banco projetava. No acumulado de nove meses, o volume lançado chega a R$ 2,4 bilhões, também 53% acima do mesmo período do ano passado.
Os projetos foram:
- Guarapiranga, empreendimento do Minha Casa Minha Vida de R$ 265 milhões, já com 42% das unidades vendidas;
- Azzure, projeto de médio padrão em Osasco, de R$ 212 milhões, com 16% vendido;
- Reserva São Caetano, também de médio padrão, de R$ 250 milhões, com 8% vendido.
Vale notar que Azzure e Reserva São Caetano foram lançados apenas nas duas últimas semanas do trimestre. Os percentuais de venda mais modestos, portanto, refletem pouco tempo de prateleira, e não necessariamente fraqueza de demanda.
O que está por trás da recomendação
Para o BTG, o trimestre foi sólido e em linha com as expectativas. O argumento central é que a Eztec segue crescendo e, ao mesmo tempo, reduz o estoque de unidades prontas, o que o banco aponta como gatilho importante para a geração de caixa livre e para a expansão do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). Imóvel concluído e parado imobiliza capital; cada unidade vendida libera recursos para novos projetos ou para o acionista.
Com base nisso, o banco reiterou a recomendação de compra. As ações são negociadas a cerca de 7 vezes o lucro projetado para 2027, múltiplo que, na avaliação dos analistas, segue atrativo mesmo sem considerar as chamadas “Esther Towers”. Os edifícios foram recentemente alugados e estão disponíveis para venda; o BTG estima que possam valer cerca de R$ 1,6 bilhão, o equivalente a aproximadamente 30% do valor de mercado da companhia.
O que observar
O resultado deixa um quadro de equilíbrio. De um lado, as vendas líquidas ficaram estagnadas e abaixo do previsto, o que mantém a atenção sobre o ritmo de absorção dos novos lançamentos, sobretudo os de médio padrão, ainda no início da comercialização. De outro, a empresa mostra disciplina ao girar o estoque pronto e sustenta um volume de lançamentos bem superior ao do ano passado. Nos próximos trimestres, a combinação entre vendas dos lançamentos recentes e a eventual monetização das Esther Towers será determinante para validar a tese de valorização defendida pelo banco.





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