A Aura Minerals (AURA33) produziu acima das expectativas do banco Safra no terceiro trimestre de 2026, reforçando a perspectiva de que a mineradora poderá atingir o ponto médio de sua meta anual de produção. Com o desempenho operacional e os volumes de vendas reportados, o banco elevou em 7% sua estimativa de Ebitda para o período, de US$ 217 milhões para US$ 233 milhões.
Entre julho e setembro, a companhia produziu 95,5 mil onças equivalentes de ouro (GEO), volume 29% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e 2% acima da projeção dos analistas. O resultado foi impulsionado principalmente pelas operações de Aranzazu, no México, e Borborema, no Brasil, que superaram as estimativas do Safra em 7% e 2%, respectivamente.
Na avaliação do banco, os números do trimestre aumentaram a confiança na capacidade da Aura de encerrar 2026 mais próxima do ponto médio de sua faixa de orientação (guidance) de produção. O desempenho, contudo, ainda exige uma aceleração relevante no último trimestre do ano para que a empresa alcance essa meta.
Meta anual no radar
Considerando a produção acumulada de 253 mil GEO nos primeiros nove meses de 2026, a Aura precisa produzir aproximadamente 87 mil GEO no quarto trimestre para atingir o limite inferior de sua projeção anual. Para alcançar o ponto médio da faixa, o volume necessário sobe para cerca de 112 mil GEO entre outubro e dezembro.
Em uma análise anualizada, a produção acumulada nos nove primeiros meses corresponderia a 337,5 mil GEO, nível 1% abaixo do limite inferior do guidance, 8% inferior ao ponto médio da faixa e 3% abaixo da estimativa do Safra.
Apesar da distância em relação à meta central, o banco avalia que o resultado do terceiro trimestre oferece sinais mais favoráveis sobre a trajetória operacional da mineradora. O desempenho das unidades produtivas, especialmente das operações que superaram as expectativas, contribuiu para melhorar a perspectiva de cumprimento das metas.
Aranzazu e Borborema se destacam
A operação de Aranzazu registrou produção de 24,9 mil GEO no terceiro trimestre, crescimento de 16% na comparação anual. O avanço foi impulsionado por teores mais elevados do minério, em linha com o sequenciamento planejado da mina, além de condições favoráveis nos preços dos metais utilizados na conversão para onças equivalentes de ouro.
Borborema foi outro destaque positivo, com produção recorde de 22,8 mil GEO, alta de 124% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado refletiu teores mais elevados do minério e melhorias no desempenho da filtragem, contribuindo para ampliar a produção da operação.
A unidade de Minosa apresentou o principal resultado negativo em relação às estimativas do Safra. A produção foi de 13,3 mil GEO, queda anual de 26% e volume 2% abaixo da projeção do banco. O desempenho foi prejudicado pela menor alimentação da planta de processamento, ainda afetada pelo aumento anterior dos níveis de empilhamento na pilha de lixiviação.
Em Almas, a produção somou 14,3 mil GEO, recuo de 5% na comparação anual. O aumento da alimentação da planta após a expansão de capacidade foi compensado por teores menores do minério, relacionados ao sequenciamento da mina.
Apoena produziu 6,9 mil GEO, queda anual de 26%, principalmente em razão da redução da alimentação da planta e das taxas de recuperação. Já a operação de MSG registrou 13,3 mil GEO no trimestre, beneficiada pela melhora dos teores, do volume processado e das taxas de recuperação.
Recuperação operacional
O desempenho de MSG reflete o avanço da estratégia de recuperação operacional da unidade e a transição para o método de mineração bottom-up, que consiste no desenvolvimento da lavra de baixo para cima. Segundo os dados apresentados pelo Safra, a combinação dessas mudanças com a evolução dos indicadores operacionais contribuiu para a melhora da produção.
O conjunto dos resultados mostra que a Aura atravessa um período de desempenho desigual entre suas operações. Enquanto Aranzazu e Borborema apresentaram resultados superiores às expectativas, Minosa e Apoena continuaram enfrentando dificuldades que limitaram seus volumes de produção.
Para o Safra, o avanço da produção no terceiro trimestre fortalece a perspectiva de que a companhia poderá se aproximar do ponto médio de seu guidance anual. A execução operacional no último trimestre, entretanto, será determinante para confirmar essa trajetória, sobretudo porque a meta central exige uma produção de aproximadamente 112 mil GEO em apenas três meses.
A revisão da estimativa de Ebitda para US$ 233 milhões reforça a avaliação mais favorável do banco sobre o desempenho financeiro da Aura no período. O resultado final de 2026 dependerá, agora, da capacidade da mineradora de sustentar os ganhos nas operações mais fortes e avançar na recuperação das unidades que ficaram abaixo das expectativas.






Deixe um comentário