Para o Safra, o terceiro trimestre de 2026 deve repetir o roteiro dos resultados anteriores no setor de bens de consumo básico. Na prévia de resultados, o banco classifica o varejo farmacêutico como o destaque positivo e o varejo alimentar como o ponto fraco, mais uma vez. A análise é de que o consumo segue dividido: o que está ligado à saúde e a novos tratamentos mantém ritmo forte, enquanto o que depende da cesta de alimentos continua pressionado.

A visão do banco para o trimestre

No varejo farmacêutico, a expectativa é de um bom trimestre em vendas, com crescimento anual entre 7% e 16%. O setor segue beneficiado por ventos favoráveis, em especial a maior demanda por medicamentos da classe GLP-1. O Safra faz, porém, uma ressalva: a base de comparação já não é tão fraca quanto no primeiro semestre de 2026, o que torna o avanço mais exigente.

No varejo alimentar, o cenário é oposto. O banco espera mais um trimestre desafiador para as vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês), com margens defendidas à base de eficiência e, no caso do México, ameaçadas por mudanças regulatórias.

Farmácias: Panvel é a aposta

Pelas projeções do Safra, a Pague Menos (PGMN3) deve crescer 7% nas vendas, enquanto Panvel (PNVL3) e RaiaDrogasil (RADL3) devem avançar 16% cada.

A Panvel é apontada como o destaque positivo do trimestre, por combinar crescimento com ganho de margem Ebitda. Já a RaiaDrogasil deve registrar leve compressão de margem na comparação anual, de 13 pontos-base.

Indústria: lançamento pesa na Hypera, base fraca ajuda a Blau

Entre os laboratórios, os caminhos divergem. Para a Hypera (HYPE3), o banco projeta alta de 9% nas vendas, mas pressão de 200 pontos-base na margem Ebitda. A explicação está no reforço de marketing para promover o lançamento do seu medicamento da classe GLP-1.

A Blau (BLAU3) deve ter crescimento de 8% na receita líquida, mesmo com restrições de capacidade. O resultado é favorecido por uma base de comparação fraca, já que as vendas ficaram praticamente estáveis no terceiro trimestre de 2025. O Ebitda deve subir 22%, apoiado também pela melhora da margem bruta, com um cenário mais favorável para os custos de matéria-prima.

Supermercados: Mateus é o ponto mais frágil

O Grupo Mateus (GMAT3) deve ser o destaque negativo, com queda de 6% na receita e SSS negativo. O recuo, no entanto, tende a ser menos intenso que o de 8% registrado no segundo trimestre. A companhia ainda deve ter expansão de 10 pontos-base na margem Ebitda, graças a ganhos de eficiência de custos.

A Walmex continua enfrentando um ambiente de consumo difícil no México, com SSS levemente positivo e crescimento de 4% na receita líquida. O principal ponto de atenção, segundo o Safra, é a margem Ebitda, que deve cair 70 pontos-base, reflexo sobretudo das mudanças no salário mínimo e na regulação da jornada de trabalho.

Para o Assaí (ASAI3), a projeção é de alta de 3% na receita, com SSS praticamente estável e abertura de nove lojas. A margem Ebitda deve ficar estável na comparação anual, desconsiderando créditos tributários ligados a bebidas geladas.

Este texto é baseado em prévia de resultados do banco Safra e tem caráter informativo. Não constitui recomendação de investimento. O trecho do relatório fornecido terminava antes da parte sobre o impacto dos créditos tributários no resultado e na alavancagem, que por isso não foi abordada.

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